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A Conta
Por Eliana Matthos Namastê nº 32 - Abril de 2008
Somos muito mais do que pensamos ser. De tempos em tempos temos a oportunidade de nos repensar. Por ensinamentos, tradições, pensamentos que nos foram passados, impressos em nosso consciente e subconsciente acreditamos e mantemos e nós e em nosso campo, passando inclusive para nossos descendentes, crenças que em determinado momento podem e devem ser revistas. Nos disseram que somos uma Criação Divina. Todos os Avatares e Seres Luz afirmam constante e incessantemente que somos a manifestação de Deus. Somos seus Filhos e herdeiros de suas bênçãos. Correntes religiosas, muito bem colocadas em determinadas épocas validavam isso, mas também nos mantinham longe de Deus, funcionando como uma ponte entre Ele e nós. Tinham o papel de intercessores, uma ligação entre nós e o Divino, enquanto nós não nos "capacitávamos" para realizar este contato por nós mesmos. O mundo mudou, as pessoas mudaram, caminharam, e se prepararam para saber e acessar um pouco mais além. Mas o cabresto ainda permanece, por uma questão de costume, mantendo a nossa visão interior limitada e também como um "porto seguro", pois assim mantemos o nosso acesso e a responsabilidade que como ele advêm, para outras pessoas, que rezam por nós, que se ligam por nós, que nos trazem "recados" de Deus. Estamos como a rã que foi mantida e induzida a acreditar que pode pular apenas aquele tanto, não acessando a possibilidade em si de ir mais além e sair da vasilha que a comporta. O vasilhame serve de parâmetro do quanto se pode ir e também como um local seguro, onde estamos acostumados a receber o pouco que outro se predispõe a nos oferecer para manter-nos vivos. Podemos ir além. Podemos sair de nosso vasilhame e conhecer o tudo além dele. Podemos sentir outros sabores, conhecer novos horizontes, encontrar outras rãs, que como nós, tiveram a curiosidade e a coragem de sair de seu local de aconchego, sair de seu limite e conhecer o verdadeiro "vaso divino", o mundo, a criação, e não só uma fração dele. Mas para isso temos que mudar algumas chaves em nosso interior. Saltar dentro de nós para o além vasilhame que estamos acostumados e que nos foi colocado como limite. Mudar nossos padrões de pensamentos e sentimentos para uma escala maior e possível. Deixar de lado o medo e a culpa por desejarmos sair do vasilhame onde alguém nós colocou e tratou por tanto tempo. Deixar para traz a sensação de que estamos sendo mal agradecidos e ver com os olhos de satisfação de nosso mantenedor, por termos nos diferenciarmos das demais rãs e saltarmos para fora, de termos coragem de arriscar e dele próprio ter alguém que saiu de uma média de rãs e resolveu se destacar, possibilitando assim um investimento maior dele (o mantenedor) em nós. "Criei a rã e ela enfim deu frutos", dele ser seu pensamento: "Ela resolveu arriscar e ver o mundo! Maravilhoso". Assim também é Deus. Deus só fala Amém. Assim seja a vossa vontade. Se desejarmos viver no pequeno vasilhame, se desejarmos manter a dor, o pouco, a culpa, Ele diz amém. O Universo nos traz aquilo que desejamos, na sua Abundância Divina. Se quisermos a conta Ele nos traz a conta. Se desejarmos as bênçãos, Ele nos traz as bênçãos. Lei da atração. Co-criamos aquilo que desejamos. Vai aí uma grande oportunidade de rever o que mantemos em nós, o que acreditamos, o que emitimos ao Universo que vai nos responder, por sintonia, na freqüência vibratória que emitimos. Deus ou seus Anjos não está sentado anotando os nossos débitos, os nossos descréditos ou créditos. Nós emitimos a nossa freqüência e desejo e Ele nos responde. É claro que, por amorosa dispensação divina recebemos a Graça. A Lei da Graça nos agracia vez ou outra, quando permitimos, com coisas que estão além de nossa freqüência... são pequenos milagres que servem para mostrar que existe algo melhor ao que acreditamos e que podemos acessar. Nos dão vislumbres do que existem além de nossa ignorância. Mas mesmo quando recebemos algo pela lei da Graça, ao invés de gostamos da sensação e procuramos mantermos ela e nós e em nossas vidas, nós vemos novamente acreditamos que somos "pouco", que somos o coco do cavalo do bandido e que nem merecemos aquilo de bom em nossas vidas. É uma leitura equivocada das bênçãos. Um exemplo: basta fazermos uma trabalho energético com nossos antepassados que não nos abrimos para receber as bênçãos deles. Temos a sensação que eles nos apresentam uma conta, apenas coisas ruins, dolorosas, vergonhosas, problemáticas que vamos ter que lidar e resolver. Muitos de nossos antepassados tiveram acessos maravilhosos, mantiveram contato com energias divinas, aprenderam coisas únicas e gostariam que recebêssemos, como um presente, essas coisas. Mas não nos abrimos para isso, não nos abrimos para as bênçãos, para o melhor, para a universalidade, mas somente para a dor, o medo, os bloqueios que advieram deles. O que desejamos para nós? Somente a conta, o débito? Em que cofre está guardada e trancada a nossa abertura para a possibilidade de receber as sagradas bênçãos divinas? Onde em nós escondemos esta chave? Podemos, mas queremos essa abertura? O Universo aguarda esta curiosidade, este movimento para nos preencher com seu Amor e Abundância Divinos. Deus só diz Amém. Assim é.
Eliana Matthos
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