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A criança e o penhasco
Por Alexandre Chagas Namastê nº 31 - Março de 2008
Na atualidade há uma grande variedade de segmentos espirituais, uma para cada gosto e momento, com rituais e dogmas explícitos ou implícitos. Cada qual se encaixa num padrão, com abordagens diferentes sobre a mesma verdade: a procura de Deus. Infelizmente existem alguns segmentos que vinculam a pessoa pelo medo, usando de artifícios como: a culpa, o pecado, uma eternidade de infelicidade dentre outros. Aliás, existem pessoas que apenas encontram a espiritualidade dessa maneira e devemos respeitar essa escolha. Diante deste fato, proponho uma introspecção e meditação em uma frase dita por uma figura muito importante na religião: "ama o teu próximo como a ti mesmo". Essa maravilhosa frase atribuída a Jesus está similarmente presente em todas as religiões do Oriente e do Ocidente, havendo quem a identifique como sendo de Moisés, Buda ou outros. Na verdade, não importa quem originalmente a teria dito, mas sim seu valor, pois seria um dos principais caminhos a ser seguido por aqueles que buscam a espiritualidade. Podemos aplicar essa Lei de Amor em tudo: aceitar que nossa verdade espiritual de hoje poderá ser alterada para algo diverso amanhã e compreender que todos os seres são irmãos, independentemente de crença, raça, espécie, sexo ou religião. Há exemplos de Seres Iluminados que vieram ao Planeta fazer uma sustentação de Amor e que nunca desejaram que houvesse brigas, discussões, sustentações de guerras e sofrimentos em seu nome. Também não criaram uma religião, e sim seus discípulos posteriormente o fizeram, com base no seu entendimento sobre o que foi dito por seu Mestre, resultando às vezes em vários segmentos da mesma vertente religiosa. São exemplos o Mestre Jesus e Buda Gautama. Ambos pregavam a autotransformação das pessoas com base no Amor. Se citarmos os outros Seres tidos por Avatares ou Iluminados que estiveram em nosso convívio, nos depararemos com a mesma situação: nenhum deles disseminou o medo, a culpa ou a discórdia; mas todos eles falaram para respeitarmos e amarmos as pessoas; falaram também para que despertássemos para a espiritualidade. Outro ensinamento de todos esses seres espirituais foi "seja íntegro com o desejo de sua Alma". Esse desejo de integridade é capaz de romper as amarras do medo espiritual e dar vazão a divindade que vem de seu coração. Certa vez li em um livro o seguinte relato: um homem estava com seu cachorro na beira de uma montanha e um pedaço de terra desprendeu-se. O homem não conseguia escalar de volta ao cume e ao mesmo tempo também estava muito alto para pular sem que morresse. Enquanto o homem se desesperava com medo de tudo (sede, frio etc.), o cachorro aceitou a situação e aguardou tranqüilo. Passado um dia, o homem sequer podia mais gritar e estava totalmente exausto por suas ações de completo terror. Pelo medo também já tinha xingado o cachorro que aguardava tranqüilo e julgou que isto acontecia porque talvez o cachorrinho desconhecesse a situação real na qual se encontrava. Após longa espera, apareceu uma criança no alto do penhasco. Nesse momento, o homem não mais conseguia mover um músculo, tampouco gritar, pois estava sem voz. Contudo, o cachorro saiu de sua passividade, começou a latir e a criança ao ouvir os latidos, viu a situação e buscou por socorro. A nossa jornada espiritual é similar a este exemplo. Enquanto estamos envolvidos pelo medo fazemos inúmeros atos desesperados, criamos brigas e isso apenas provoca o desequilíbrio e a perda de controle de nossas próprias ações, gerando mais tensão e desequilíbrio. Além das brigas religiosas de nada adiantarem, criam um ambiente de tensão impedindo que efetuemos os movimentos necessários quando somos convocados, como amar tudo e todos e aceitar que se algo ocorreu para que parássemos talvez seja mesmo o momento de parar. Quantas pessoas têm sinais claros de parar com pensamentos que causam a autodestruição ou de parar com uma atividade e brigam com os desejos de sua Alma até o momento em que materializam uma doença ou um acidente? Aliás, o ser humano é o único ser vivo que consegue deixar de aceitar uma situação e briga com os próprios pensamentos ainda que não tenha ninguém para brigar. A briga interior se transforma geralmente em um vício interno, pois sabemos que é necessária a mudança, mas já estamos tão viciados que é muito difícil desligarmos das preocupações e dos pensamentos destrutivos. Quando acalmamos os pensamentos e meditamos apenas em nós podemos descobrir que podemos melhorar, independentemente do medo ou de religiões. Podemos ser a nossa essência divina aqui e agora, independentemente do que as outras pessoas digam. Adquirimos assim a autoconfiança física e espiritual. A ilusão de estarmos separados de Deus cria o medo de viver, medo da morte e medo de estarmos errados naquilo que pensamos. Daí muitos defenderem seus pontos-de-vista de maneira a pedir que outros o sigam; já outros, por este mesmo medo preferem entregar a própria espiritualidade em mãos alheias para que os conduza do que ter de se responsabilizar pelos próprios atos e desejos. Ao seguirmos o caminho do amor e da aceitação da vontade de nossa Alma poderemos meditar com tranqüilidade acerca de nossa jornada e, ao fazermos isso estaremos falando com a criança que estará no penhasco (Alma), a qual, certamente, providenciará a ajuda que tanto necessitamos. E isso acontecerá no momento no qual aceitarmos quem somos e perdoarmos as pessoas a nossa volta e a nós mesmos. Ama o teu próximo e também ama a ti mesmo tanto quanto busca amar o teu próximo. Essa é a maior jornada espiritual ensinada pelos grandes seres da Luz, ou seja, o caminho do coração e do amor. Namastê,
Alexandre Chagas
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