Separação Conjugal

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Por Alexandre Chagas

Namastê nº 28-  Março de 2007

 

 

Em casamentos onde o respeito mútuo acaba, muitas pessoas se deparam com a decisão entre se separar ou não. E nesta mistura de dúvida e culpa, alguns acreditam que devem carregar a "sua cruz" porque é melhor sofrer agora do que passar a eternidade espiritual ao lado do cônjuge ou ainda voltar, em outra vida, para conviver com aquela pessoa, em um "karma" semelhante.

A situação é mantida até o ponto que resultados desastrosos se instalam: impotência sexual, uso de drogas licitas e ilícitas, depressão ao ponto de surgir desejo de morte para si ou para o cônjuge. Tudo a custo de não olharem para seu interior e notarem que merecem um novo recomeço.

Enquanto a indecisão persiste, a negatividade do casal se espalha aos filhos (com uma educação desequilibrada), aos amigos (que servem de "muro de lamentações") e ao próprio casal, pois perdem continuamente seu amor próprio e alegria de viver.

Como ninguém triste consegue uma conexão plena com a abundância, muitas vezes a pessoa indecisa cai num ciclo de problemas financeiros que se avolumam a cada dia, como se uma força maligna lhe escravizasse e obrigasse a continuar na relação conjugal.

A causa real de tanta negatividade é a desconexão com o Eu Divino que habita no coração de cada um, fazendo com que a pessoa indecisa fique desconectada do seu melhor, de sua fonte, sendo alvo fácil para as forças espirituais negativas. Em meu trabalho como terapeuta holístico já encontrei inúmeras pessoas que apresentam este quadro e que foram tratadas pela Apometria Cósmica, observando que as mudanças interiores – que vão se refletir no exterior - se fazem necessárias.

Vamos observar o que os textos sagrados dizem sobre a separação do casal:

Segundo a cabalá, Satan é aquele que traz culpa, medo e ilusão. E as ilusões mais profundas nestes casos são: receio da sociedade condenar este ato de libertação, vontade de ser vítima e culpa do ato da separação sem si, ocasionada muitas vezes pela crença religiosa.

Nos dias de hoje, temos um certo avanço católico, não divulgado pelos extremistas! O código canônico, afirma no item 1153 § 1º que "Se um dos cônjuges é causa de grave perigo para a alma ou para o corpo de outro cônjuge ou dos filhos ou, de outra forma, torna muito difícil a convivência, está oferecendo ao outro causa legítima de separação (...)".

Claro que a igreja católica ainda não aceita o divórcio, mas deixar de condenar já é um progresso que deve ser comemorado.

Nas escrituras Jesus disse: "O que Deus uniu o homem não deve separar". Acredito que enquanto houver amor, não deve as pessoas interferirem para provocar a separação, pois em uma outra passagem bíblica Jesus não se coloca em desfavor da separação, como veremos abaixo.

Na lei de Moises a separação conjugal era prevista "quando um cônjuge não encontre mais alegria nos olhos do outro poderá lhe dar carta de repúdio" (hoje chamada de divórcio) (Deuteronômio 24:1).

Como a expressão "não encontre mais alegria nos olhos do outro" é muito vaga, na antiguidade muitas separações eram requeridas pelos maridos por motivos banais e as esposas que não trabalhavam se viam em uma difícil situação financeira e moral.

Então os homens indagaram a Jesus como ele via a questão da separação conjugal, ao que o Mestre assentiu apenas nos casos de imoralidade sexual (infidelidade, adultério, prostituição, leviandade, homossexualismo etc.) a carta de repúdio teria um motivo plausível (Mateus 19:9).

E quanto às mulheres, Jesus falou alguma coisa? Ele fez mais do que isso: agiu.

Em caso de infidelidade feminina havia a pena de morte por apedrejamento (o que não ocorria no caso de infidelidade masculina).

Em João 8:1, sabemos que Jesus salvou uma mulher da morte por apedrejamento por ter sido flagrada em adultério.

Perante todos aqueles que queriam executar a pena de morte – que já havia sido imposta - disse Jesus: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro a atirar pedra contra ela". Com isso todos saíram e a mulher foi salva.

"E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8:10-11).

Nessa passagem Jesus fez três grandes atos: (1) salvou a mulher da pena de morte, (2) perdoou a traição desta (nem eu te condeno) e (3) mesmo sabendo que a pena de morte era dada após o divórcio (repúdio), disse àquela mulher "vai-te, e não peques mais", no sentido que o importante é continuar com Deus sempre, mesmo em difíceis situações.

Voltando ao tema de vitimismo e o receio "do que os outros vão achar", vamos analisar 2 dos 10 mandamentos, mas sob a ótica cabalística, a qual ensina que os mandamentos devem ser aplicados antes de tudo em nós mesmos.

Quando analisamos a expressão "não roubarás" notamos que aqueles que permanecem em dúvida se roubam a chance de serem felizes, de ter alegria, ânimo pessoal e ainda sua auto-estima e a de seus filhos, que são furtados de terem uma educação tranqüila e digna.

Ao estudar o mandamento "não trairás", notamos que deixar de fazer algo em prol de nossos corações é trair a si mesmo. "Não trairás" é muito profundo, pois cada vez que fazemos algo contra o desejo de nossos corações estamos nos traindo e consequentemente traindo todos e tudo em nossa volta.

Que dizer então do ensinamento de Jesus "amas ao teu próximo como a ti mesmo", se a dúvida eterna acarreta a perda de amor próprio e dignidade interior?

Há casos que a separação é o único remédio ao corpo, mente e alma. Nesses casos, o pensamento de "deixar para depois" é trair-se para continuar na ilusão e roubar-se a chance de estar em conexão e em paz.

Somos o mais lindo produto do Amor de Deus. E, por sermos filhos do mais puro amor, nascemos predestinados para sermos felizes.

Todo o resto é pura ilusão!

Namastê,

 

ALEXANDRE CHAGAS

alexandre@luzcristica.com

   

 

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