Luz e Sombra
Por Eliana Matthos
Namastê nº 18 - Novembro 2005
Em nossa manifestação dual, temos as duas polaridades: luz e sombra. Elas existem em nosso interior e estamos em contato permanente com as duas. Enquanto em manifestação, teremos sempre a interferência interior e exterior (dos outros) em nossa vida material ou mesmo espiritual.
Somos as duas polaridades.
Desejo neste artigo, desmistificar um pouco a "Luz" e a "Sombra", com base nas experiências que tenho com a manifestação em sentido global e ainda nos atendimentos terapêuticos que realizo.
Essa "luta" incessante que temos em nosso interior é uma luta inglória. Não há como acabarmos com a Luz ou a Sombra que somos nós mesmos. É como se tentássemos arrancar um braço ou uma perna, mas mesmo assim, "potencialmente" ela estaria lá. Há um registro.
A palavra que bem descreve o que manifestamos e sentimos quando escolhemos uma das polaridades é o PODER. O nosso poder pessoal é o que nos move para a luz ou para a sombra.
Quando nos separamos de Deus, saímos de sua unicidade, como Centelhas Divinas para experenciar a manifestação. Na verdade o que experenciamos é o Poder de Deus em nosso interior e o colocamos em prática. Temos o livre arbítrio para manifestarmos o que desejamos, dentro do que nos é permitido.
E vamos acumulando experiências e vamos escolhendo quais experiências desejamos ou não mais passar. Deus assim se manifesta no mundo material em nós.
O "bem" ou o "mal" deixam de existir, na concepção das palavras, e passam a ser somente experiências de um Ser, em manifestação de Deus, na polaridade ainda, no mundo manifesto.
Quando resolvemos experenciar o Poder na polaridade "negativa" da Sombra temos todas as experiências sintonizadas com essa manifestação. Temos a chance de aprender que somos sim poderosos, que podemos manipular energias e pessoas a nosso favor ou mesmo contra nós. Somamos essas experiências. Por sermos uma totalidade acabamos trabalhando em prol do coletivo no sentido de proporcionar a nós mesmos e aos demais experiências que nos fortificam, na dor, mas que nos fazem entender que "podemos", que temos a força dentro de nós.
Estando experienciando essa polaridade, temos a certeza que o poder existe, mas acreditamos, ilusoriamente, que esse poder é nosso, como Seres individuais. Aprendemos o "poder" mas mantemos a ilusão dele e de nós sermos individuais. Isso soma em nossas experiências. É uma poderosa e básica lição. De que somos o Poder e que podemos e devemos manifestá-lo, pois isso é bom para nós e para o coletivo. Registramos esse fato e quando precisarmos utilizá-lo teremos o registro em nosso interior que somos capazes e que o limite está dentro de nós: o quanto acreditamos que podemos ou não. E colocamos isso em prática. Estamos em manifestação e não mais "ao vento".
Quando decidimos vivenciar a polaridade da Luz já temos em nosso interior aquele registro: de que somos fortes e poderosos. Mas geralmente nos acompanha uma sensação de "débito", pois acreditamos também que fizemos muito "mal" e nós a aos outros. Isso passa a ser um Karma. Experiências que vivemos e nos acrescentaram e aos outros muitas coisas boas, passam a ser vistas como maléficas, o que impede nosso desenvolvimento, nos bloqueia pela culpa e mais uma vez encontramos limites dentro de nós: de sermos indignos de manifestar a Luz.
Isso decorre de uma crença nossa e que nos foi ensinada, mas muitos, muitos Seres de Luz passam horas e horas, canalizações e canalizações nos informando que podemos ascender. Que estamos "perdoados", que devemos nos perdoar e aos outros, pois tudo que ocorreu foram somente experiências e que temos a chance de vivenciar a Luz, a nossa Luz.
Existe uma diferença básica entre nos manifestar na Sombra e na Luz:
Quando manifestamos nosso Poder na polaridade da "Sombra" temos essa manifestação individualmente, ou seja, contamos conosco mesmo. Não temos amigos, pois os demais Seres não são confiáveis. Nossos pares também estão experienciando a manifestação individual, o que nos coloca em situação de "competição" pelo Poder. Um passo que damos fora pode nos custar experiências outras não muito agradáveis, pois nos encontramos "sozinhos" experenciando o poder.
Mas quando chegamos no nosso limite e cada um tem o seu do desejo de experimentar o poder individualmente, saímos com um crédito positivo, pois já vivenciamos o registro de que "podemos". O que importa é de levemos esse registro positivo e que deixemos de nos culpar, possibilitando assim o próximo passo, sem bloqueios. É como se retirássemos aquela roupagem e trocássemos por outra. O que fizemos para aprender passa a ser a "roupa" e as experiências quem está "dentro da roupa". Afinal, quem se sente culpado por "trocar de roupa"?
Estando agora desejosos de experienciar o poder na Luz, observamos que paulatinamente vamos aprendendo que esse poder não é mais individual. Já aprendemos o individual. Chega a hora de nos somarmos aos demais. Na Luz isso ocorre. Somamos o nosso poder, o qual já temos conhecimento firmado que temos.
Essa somatória acaba ocorrendo naturalmente. Conforme vamos ascendendo na Luz não nos vemos mais sozinhos. Acabamos por nos englobar com os outros Seres que estão manifestando a sua Luz, tanto os deste como os do outro lado do véu. É como se abrisse uma comporta e nos somamos àquele mar de Luz. A sensação interior não é mais de solidão, de individualismo no poder, mas de somatória. Nos sentimos em totalidade e já não mais queremos "segurar" esse poder individualmente. Perdemos a ilusão de que o poder "é nosso, individual". Sabemos que o temos, mas que fazemos parte de uma totalidade. E passamos a usá-lo neste sentido. Não estamos mais sozinhos.
Continuamos com nossas experiências individuais, mas não estamos mais sozinhos em nós mesmos. Não estamos mais "na disputa" e sim na somatória do que sabemos interiormente que somos.
Apenas a nossa vontade, a nossa decisão e as experiências que ela traz é que faz a diferença.
Mas precisamos entender que temos a força individualmente, então por isso escolhemos trabalhar inicialmente em separado, com a impressão (ilusão inicial e necessária) de que estamos sós. Mas nunca estamos. O que escolhemos é pensar inicialmente que estamos, vivendo todas as experiências para isso, mas depois cansamos e queremos experimentar outra coisa. Aí nos somamos.
Deixemos a culpa de lado. O que sempre fizemos e ainda faremos são experiências. Apenas mudamos o lado para qual íamos. O importante é vivenciar realmente sempre o que está em nosso coração e respeitar o coração dos outros, as experiências que cada um resolveu viver para "se conhecer".
Podemos nos abrir agora, neste momento, se for o desejo de nosso coração e participar da soma. Retomar o caminho da "subida", da unificação com os demais e particularmente com Deus em nosso coração. Sentirmos e agirmos em somatória com Deus, realizando o que for preciso pois já temos o conhecimento que "podemos" para que isso aconteça. Na verdade é uma "entrega" ao nosso coração. Deixando tudo para trás. É um soltar. "Entrar" neste mar de Luz e nos somarmos a ela. Perdemos a ilusão de que estamos separados e nos acrescentamos ao Pai/Mãe, de coração, palavras e ações.
Fiquem na Luz.
Namastê.
Eliana Matthos
eliana@luzcristica.com
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