O Evangelho Apócrifo de Tomé - Logion 14

Namastê nº 13 - Agosto de 2005
Por Alexandre Chagas
Logion 14: "... O que entra por vossa boca não poderá vos macular, mas, sim, o que sair de vossa boca. Isto pode vos macular".
Quando propagamos a negatividade por palavras, por exemplo, falar mal de alguém, fofocar, transmitir ou aumentar tragédias etc, servimos de meio de transmissão da negatividade ao mundo, às pessoas e a nós mesmos, pois maculamos Deus no Externo e, principalmente, Deus no nosso Interno.
E este maravilhoso ensinamento de Jesus, transcrito no Logion acima, está intimamente ligado a outros dois ensinamentos desse Messias: "Não devereis julgar para não serdes julgados" e "amai o próximo como a vós mesmos".
Quando as pessoas diminuem os julgamentos pessoais (sobre atos, pessoas, tragédias etc), abandonam a negatividade, abrindo as portas do Reino Interno e da Maestria Pessoal, porque seu pensamento passa a ser sublime e livre de negatividades.
Quando amamos o próximo como a nós mesmos, de forma análoga, também deixamos de culpar Deus ou alguém por um infortúnio, pois passamos a ter a noção que tudo é amor, que somos filhos do amor e que somos uma partícula de Deus, que é puro amor. Com isso, abrimos as portas do nosso coração, que é a residência do nosso Deus Interior, único que poderá abrir as chaves para que também acessemos Deus no Exterior.
O Logion não deve ser lido superficialmente! Note que a análise superficial poderia concluir que todos os mudos do mundo estariam salvos, quando não estão.
Mas o que há além das palavras?
Jesus estava a falar de nossos próprios pensamentos. Evitar pensar negatividades já é um grande caminho rumo a descoberta de Deus Interno.
Mas como chegar a esse controle?
O caminho oriental ensina que isso somente é possível vivenciando as próprias emoções para, num segundo passo, controlá-las. Inicialmente pode parecer um contra-senso o que falo, mas se tiver raiva, vivencie a mesmo para que descubra porque esta raiva aflorou em seu ser. E sabendo a real causa desse sentimento negativo (que é interior a quem o sente), por certo será mais fácil arranjar um remédio eficaz para o mesmo.
Façamos, portanto, o mínimo, que é controlar as nossas palavras. Ao controlar as palavras e evitar a transmissão da negatividade ao mundo, podemos galgar, num futuro próximo, a maior maestria de todas, que é conhecer a si próprio e, com isso, ter a certeza de sermos filhos criados a Imagem e Semelhança de Deus.
Alexandre Chagas
alexandre@luzcristisca.com
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