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Breve Relato Histórico da Cabalá
Por Alexandre Chagas Namastê nº 10 - Maio de 2005
Ninguém sabe quando efetivamente surgiu a Cabalá e talvez nunca ninguém saiba. Esta dificuldade decorre do fato da tradição esotérica judaica ser repassada pela via verbal diretamente de mestre a discípulo. O primeiro livro cabalístico que se tem conhecimento foi o Sefer Yetzirá, escrito por Abrahão, após receber os conhecimentos da tradição cabalística diretamente de Melquisedeque (neto de Noé, segundo a tradição cabalística) e, por esta razão, Abrahão pagou dízimo a àquele. O Sefer Yetzirá é altamente profundo e, apesar de ser relativamente pequeno (cerca de 2 páginas de hoje), foi comentado pelo Rabi Shimon Bar Yoshay (possivelmente no século I d.C.), comentários estes os quais deram origem ao mais festejado livro cabalístico de todos os tempos, qual seja, o Sefer Zohar (Livro do Esplendor), o qual contém 24 volumes com aproximadamente 300 páginas cada. Apesar da enorme importância, o Sefer Zohar nunca chegou a ser publicado na íntegra na língua portuguesa, o que realmente é uma pena, já que, acredito, aludida obra poderia facilmente alcançar mais de 50.000 cópias entre os países de nossa língua nativa, já que é estudado pela maçonaria, rosa-cruz, eubiose e outras sociedades secretas. A única obra editada na língua portuguesa (editada em Portugal), beira o fiasco, eis que possui uma quantidade ínfima de trechos isolados do Zohar e interpretados pelo autor como este bem quis. Na mesma época na qual o Zohar estava sendo escrito (aproximadamente no ano "zero"), uma outra escola judaica escreveu o não menos famoso livro, denominado Sefer Bahir (livro da Iluminação). A expressão "Cabala" teve origem há pouco tempo, por volta da era do iluminismo (1800 d.C). Outrora, quem detinha aludido conhecimento era, simplesmente, chamado de sábio. Por certo, os judeus não têm Jesus como sendo o tão esperado Messias, mas todos os cabalistas judeus concordam que Jesus era "um sábio" (expressão usada para se referir a um verdadeiro cabalista daquela época). A história da Cabala pode ser dividida, basicamente, em três fases: Ordem de Melquisedeque (era de Abrahão), Ordem de Merkabá (aproximadamente entre os séculos I a III d.C) e simplesmente Cabalá (após o século XIX). Interessante notar que alguns trechos bíblicos demonstram que Jesus Cristo foi um grande cabalista, tal qual neste:"Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque." (Hebreus 6:20). E a Ordem de Melquisedeque, como já informamos, foi como antigamente se chamou a tradição cabalística em sua primeira fase. Aliás, aos que conhecem Cabala, sabem que Jesus realmente detinha o conhecimento cabalístico, ante a análise esotérica-cabalística da oração do Pai Nosso, onde apenas um cabalista que sabia perfeitamente o que falava poderia afirmar, ao final da oração (não usual nos dias de hoje): "... porque este é o Vosso Reino, Poder e Glória para todo o sempre", numa perfeita referência às sephirah ou esferas de luz que compõem a árvore da vida. Na segunda fase cabalística, Ordem de Merkabá, os integrantes detinham este nome pelo fato de adorarem o Carro-Trono de Deus (mer-kabá), descrito na bíblia (novo testamento) em Apocalipse Capítulos 4 e 5 e (antigo Testamento) em Isaías Capítulo 6, dentre outras passagens, as quais muitos esotéricos afirmam que foi a origem da carta "O Carro" do tarot. Não é difícil estabelecer o elo entre a segunda e a terceira fase cabalística, até pelo próprio nome de ambas: Mer-Kabbah e Kabba-lah. Nesta, os adoradores do Carro-Trono de Deus (mer-kabah), passaram a ser conhecidos como aqueles que detém o conhecimento do Carro-Trono de Deus (kabba-lah). Apesar de quase nada ter sido editado na língua portuguesa, indico os livros que julgo serem os melhores em nossa língua nativa: "A Sabedoria da Cabala", de Elisabeth Clare Prophet; e "Sefer Yetziráh", de Arieh Kaplan (este livro é profundo e avançado, devendo ser lido após um prévio conhecimento em cabala). Ainda há o site www.zohar.com, onde, mediante um simples cadastro de e-mail, o internauta poderá acessar todos os 24 volumes do Sefer Zohar, disponível em Inglês e em Hebraico. Aos que não conhecem perfeitamente o Inglês, aconselho que se utilizem de tradutores de páginas disponíveis na internet, tal qual no sistema de busca Google, dentre outros, ante a lacuna existente em nossa língua.
Alexandre Chagas
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